<p>Em 1 de agosto de 1936, Hitler abriu os XI Jogos Olímpicos de Inverno. A foto mostra a criação de um novo ritual: um corredor solitário carrega a tocha que foi acesa no local dos antigos jogos em Olímpia, na Grécia, e levada para a Alemanha, passada de mão em mão por atletas ao longo do caminho. O portador da chama olímpica foi fotografado logo após passar sob o Portão de Brandenburg, em Berlim. Berlim, Alemanha, Julho-Agosto de 1936.</p>

As Olimpíadas Nazistas em Berlim, 1936: Inauguração do Ritual de Revezamento da Tocha Olímpica

ANTECEDENTES

Em maio de 1931, o Comitê Olímpico Internacional determinou que os Jogos Olímpicos de Verão de 1936 fossem realizados em Berlim. O conde Henri Baillet-Latour, da Bélgica, liderava o comitê. A escolha de Berlim marcou o retorno da Alemanha ao cenário global após sua derrota na Primeira Guerra Mundial.

Em 1933, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, tornou-se chanceler da Alemanha. Rapidamente, ele transformou a frágil democracia daquela nação em uma ditadura mono-partidária. A polícia prendeu milhares de oponentes políticos do regime, detendo-os sem julgamento em campos de concentração. O regime nazista também colocou em prática políticas raciais que buscavam "purificar" e fortalecer a população "ariana" germânica. Uma campanha sistemática e inexorável começou a excluir o meio milhão de judeus alemães de todos os aspectos da vida nacional.

AGOSTO DE 1936

Durante as duas semanas de agosto de 1936, durante as quais transcorreram os Jogos Olímpicos de Verão, a ditadura nazista de Adolf Hitler camuflou seu caráter racista e militarista. Ocultando sua agenda anti-semita e seus planos de expansão territorial, o regime utilizou os Jogos para impressionar os espectadores e jornalistas estrangeiros com a imagem de uma Alemanha pacífica e tolerante.

A Alemanha promoveu habilmente sua ideologia através os Jogos Olímpicos com o uso de cartazes coloridos e páginas inteiras de revistas que comentavam o evento. As imagens de atletismo estabeleciam uma relação entre a Alemanha nazista e a Grécia antiga. Elas simbolizavam o mito racial nazista de que a superioridade da civilização alemã era a justa herdeira de uma cultura "ariana" na antiguidade clássica.

Os esforços concentrados na propaganda política continuaram muito após o final dos Jogos Olímpicos, com o lançamento internacional de um polêmico documentário sobre as Olimpíadas entitulado "Olympia", dirigido pela cineasta Leni Riefenstahl, no ano de 1938.

A ABERTURA DOS JOGOS

Em 1º de agosto de 1936, Hitler deu início aos Jogos da 11ª Olimpíada. Fanfarras musicais, dirigidas pelo famoso compositor Richard Strauss, anunciavam à multidão, majoritariamente alemã, a chegada do ditador ao local do evento. Centenas de atletas em uniformes de gala entraram no estádio no dia da abertura, as equipe marchando em ordem alfabética. Inaugurando um novo ritual olímpico, um único corredor chegou carregando a tocha que havia sido trazida até a Alemanha por revezamento, desde o local dos antigos jogos em Olímpia, na Grécia.

O REVEZAMENTO DA TOCHA

Os Jogos de 1936 foram os primeiros a empregar a corrida com a tocha. Cada um dos 3.422 atletas que carregaram a tocha correu um quilômetro com a mesma ao longo da rota de revezamento, partindo do local onde se realizavam as antigas Olimpíadas em Olympia, na Grécia. O ex-atleta olímpico alemão Carl Diem idealizou o revezamento, baseado em um evento ocorrido em Atenas no ano 80 A.E.C. A escolha foi perfeita para os propagandistas nazistas, os quais utilizavam tochas acesas em seus desfiles e reuniões para atrair a atenção dos alemães, especialmente dos jovens, para o movimento nazista.

A tocha foi manufaturada em 1936 por uma companhia alemã muito conhecida por sua produção de aço e armamentos, a Krupp.

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