Jews carrying their possessions during deportation to the Chelmno killing center. [LCID: 10047]

A Vida nos Guetos

A Vida nos Guetos A vida nos guetos era insuportável. Havia superpopulação, e várias famílias eram obrigadas a dividir uma mesma residência. Os sistemas de esgoto eram destruídos pelos nazistas, e os dejetos humanos tinham que ser jogados nas ruas juntamente com o lixo. Não havia comida, as pessoas viviam famintas. Para manter estas condições subumanas, extender o sofrimento dos judeus ao máximo, os alemães permitiam que os residentes comprassem uma pequena quantidade de pão, batatas e gordura, praticamente insuficiente para sobrevivência, e nada mais. Alguns moradores que possuiam dinheiro guardado ou pertences valiosos conseguiam trocá-los por qualquer comida que entrasse clandestinamente nos guetos. Outros tinham que mendigar ou roubar para sobreviver. Durante os longos e severos invernos europeus, não se conseguia combustíveis para aquecimento das casas, e a maioria das pessoas não possuía roupas adequadas ao frio. Elas ficavam cada vez mais fracas por causa da fome, mau tratos a que eram submetidas, e a exposição ao frio fazia com que ficassem extremamente suscetíveis a diversas doenças. Dezenas de milhares de seres humanos judeus morreram de fome, frio, e doenças nos guetos. Muitos indivíduos desesperados se suicidavam.

Todos os dias havia um número crescente de crianças órfãs, e elas tinham que cuidar de suas irmãs e irmãos mais novos. Os órfãos normalmente viviam nas ruas mendigando restos de pão de pessoas que tinham muito pouco ou nada para compartilhar. Muitas crianças morreram congeladas e com fome durante o inverno.

Para sobreviverem, as crianças tinham que se tornar habilidosas e úteis. Às vezes, crianças pequenas do gueto de Varsóvia ajudavam a contrabandear comida para suas famílias e amigos arrastando-se por pequenos buracos nos muros dos guetos. Isto era muito arriscado, já que os contrabandistas capturados eram severamente punidos, mesmo que fossem crianças.

Em muitos guetos, vários jovens tentavam continuar seus estudos, participando de aulas organizadas por adultos. Como as aulas eram ministradas em segredo, os alunos aprendiam a esconder os livros que conseguiam embaixo das roupas para não serem capturados.

Embora sofrimento e morte fizessem parte do cotidiano das crianças, elas não deixaram de brincar. Algumas tinham bonecas ou caminhõezinhos que levaram consigo quando foram capturadas e enviadas como prisioneiras nos guetos. As crianças também construíam brinquedos usando pedaços de madeira e tecidos que encontravam. No gueto de Lodz, na Polônia, as crianças transformavam a parte de cima de caixas de cigarros em cartas de jogos infantís.

DATAS IMPORTANTES

8 DE FEVEREIRO DE 1940
JUDEUS DE LODZ SÃO CONFINADOS EM GUETO

Os alemães criaram um gueto no setor nordeste de Lodz. Nele, em uma área minúscula da cidade, cerca de 160.000 judeus, mais de um terço da população total, foram forçados a viver em confinamento. A comunidade judaica de Lodz era, depois de Varsóvia, a segunda maior da Polônia pré-Guerra. O gueto foi separado do resto da cidade por cercas de arame farpado, e foi dividido em três áreas que eram conectadas através de passarelas construídas sobre a interseção de duas vias urbanas externas para manter os judeus isolados do resto da população. Os transportes para uso da população não-judia de Lodz atravessavam o gueto, mas não paravam dentro dele. As condições de vida no gueto eram horríveis, a maior parte não possuia água corrente ou sistema de esgoto. O trabalho duro, a superpopulação, a doença e a fome predominavam no gueto.

16 DE JANEIRO DE 1942
JUDEUS DE LODZ SÃO DEPORTADOS PARA O CENTRO DE EXTERMÍNIO DE CHELMNO

Foram iniciadas as deportações do gueto de Lodz para o centro de extermínio de Chelmno. A polícia alemã passou a perseguir e agrupar judeus do gueto para deportá-los em grupos para os campos de concentração. Centenas deles, a maioria crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes, foram assassinados no processo de deportação. Até setembro de 1942, mais de 70.000 judeus e cerca de 5.000 ciganos foram deportados para Chelmno, onde foram exterminados em furgões de gás (caminhões com compartimentos hermeticamente vedados, com o escapamento voltado para sua parte interna), que serviam como câmaras de gás.

23 DE JUNHO DE 1944
OS ALEMÃES REINICIAM AS DEPORTAÇÕES DE JUDEUS DO GUETO DE LODZ

Entre setembro de 1942 e maio de 1944, as deportações eram esporádicas. O gueto era como um campo de trabalhos forçados, mas na primavera de 1944, os nazistas decidiram destruí-lo. Naquela época, Lodz era o último gueto ativo na Polônia, com uma população de cerca de 75.000 judeus. Em 23 de junho de 1944, os alemães reiniciaram as deportações. Cerca de 7.000 judeus foram deportados para Chelmno e exterminados. As deportações continuaram em julho e agosto. A maioria da população remanescente do gueto foi deportada para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Acabou ai o gueto de Lodz.

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