Page from the antisemitic German children's book, "Trau Keinem Fuchs..." [LCID: 10640e]

Anti-Semitismo

Anti-Semitismo O fenômeno do anti-semitismo é um dos pontos de partida para tentar compreender a tragédia que se abateu sobre milhões de pessoas durante o Holocausto.

Ao longo da história os judeus têm enfrentado preconceito e discriminação, que são em conjunto o que se denomina antissemitismo. Expulsos pelos romanos de sua própria terra, o então reino de Judá, hoje chamada de Estado de Israel, há cerca de dois mil anos eles se espalharam por todo o mundo mas mantiveram suas crenças e cultura, mesmo vivendo como minoria em todos os lugares. Em alguns países, os judeus foram bem-vindos e desfrutaram de longos períodos de paz com seus vizinhos. Nas sociedades européias, cuja população era majoritariamente cristã, os judeus foram considerados intrusos e foram obrigados a viver cada vez mais isolados. Os judeus não compartilham da crença de que Jesus é o Filho de Deus, e muitos cristãos consideravam a recusa em aceitar a divindade de Jesus como arrogância judaica. Por séculos, a Igreja Católica pregou a seus fiéis que os judeus foram ros esponsáveis pela morte de Jesus, não reconhecendo o fato histórico de que Jesus foi executado pelo governo romano, uma vez que os governantes o consideravam uma ameaça política à soberania de Roma, fato aceito aceito pela maioria dos historiadores sérios . Além dos conflitos religiosos, existiam ainda conflitos econômicos, pois os governantes impuseram muitas restrições aos judeus, proibindo que ocupassem determinados cargos e que possuíssem terras.

Além disto, como a Igreja Católica condenava a usura (empréstimo de dinheiro a juros), os judeus foram obrigados a assumir os importantes, porém impopulares, papéis de cobradores de impostos e também emprestadores de dinheiro para a maioria cristã. O dinheiro era em sua maior parte de membros das elites, que usavam os filhos de Israel como testa-de-ferro,e assim não se expunham ao “pecado” e execraçã que a prática da usura geravam. Em tempos de dificuldades políticas, sociais e financeiras, as autoridades transformavam os judeus em bodes expiatórios para muitos dos problemas que as pessoas enfrentavam. Entre várias acusações, criaram aquela de que os judeus foram os causadores da “Peste Negra", a praga que matou milhões de pessoas por toda a Europa durante a Idade Média. Na Espanha, no século XV, os judeus foram obrigados a escolher entre se converter ao cristianismo, deixar o país, ou serem assassinados pelas autoridades. Na Rússia e na Polônia, no final do século XIX, os governos organizaram (e também não impediram aqueles preparados à sua revelia) ataques violentos--os pogroms-- a bairros e aldeias judaicas, durante os quais multidões enfurecidas, incentivadas pelas autoridades locais, massacravam os moradores, estupravam as mulheres, e saqueavam suas casas e comércio.

À medida que as ideias de liberdade e igualdade política se espalharam pelo oeste Europeu, durante o século XIX, os judeus e outras minorias adquiriram praticamente os mesmos direitos civis dos demais cidadãos, e houve um alento. Porém, novas formas de antissemitismo surgiram. Líderes europeus, que desejavam estabelecer colônias na África e na Ásia após as independências de suas colônias nas Américas, criaram o argumento de que os brancos eram superiores às demais raças e, portanto, tinham o direito e dever de ocupar outras regiões do mundo e de dominar as raças mais “fracas” e “menos civilizadas”. Alguns escritores aplicaram este mesmo argumento aos judeus, definindo-os equivocadamente como de raça semita, por acreditarem que todos compartilhavam o mesmo sangue e as mesmas características físicas [negando o fato de que existem judeus brancos, negros, e asiáticos].

Este tipo de antissemitismo racial significava que, ainda que mudassem sua religião e se convertessem ao cristianismo, os judeus não poderiam mudar sua raça. Alguns políticos mal-intencionados passaram a usar a ideia de superioridade racial branca em suas campanhas como forma de angariar votos em tempos problemáticos. Karl Lueger (1844-1910) foi um deles. No final do século XIX, ele foi eleito prefeito de Viena, na Áustria, utilizando a plataforma do antissemitismo – ele atraiu eleitores ao culpar os judeus pelo fraco desempenho da economia naquela época. Lueger era considerado um herói por um jovem de nome Adolf Hitler, nascido na Áustria em 1889. As ideias de Hitler, incluindo sua visão sobre os judeus, foram moldadas durante os anos que viveu em Viena, onde aprendeu as táticas de Lueger e leu os panfletos e jornais antissemitas que se multiplicaram durante o longo período em que ele foi prefeito.

DATAS IMPORTANTES

Década de 1890
A MENTIRA DE UMA CONSPIRAÇÃO JUDAICA

Na França, um membro da polícia secreta russa cria Os Protocolos dos sábios de Sião. O livro Os Protocolos diz existir uma conspiração judaica para dominar o mundo. Os documentos forjados são apresentados como se fossem as atas de uma assembléia de líderes judaicos, de toda a terra, na qual eles teriam traçado planos para dominar o mundo. O livro também sugere que os judeus formaram instituições e organizações secretas com o objetivo de controlar e manipular partidos políticos, a economia, a imprensa e a opinião pública mundial. Os Protocolos ainda são publicados na maior parte do mundo, inclusive no Brasil e nos Estados Unidos, e são usados pelos antissemitas para reforçar a falsa existência de uma conspiração judaica. Nas décadas de 1920 e 1930, os Protocolos foram usados pelo Partido Nazista para obter apoio à sua política e ideologia antissemitas.

1894
CASO DREYFUS DIVIDE A FRANÇA

O capitão Alfred Dreyfus, oficial judeu do exército francês é preso e falsamente acusado de entregar documentos que envolviam a segurança nacional da França à Alemanha . Após julgamento sumario por uma corte militar, Dreyfus é considerado culpado por traição e condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, localizada na costa da Guiana Francesa. Este caso divide a França em dois grupos opostos: aqueles que alegam que Dreyfus é culpado (conservadores, nacionalistas e antissemitas), e aqueles que dizem que Dreyfus deve receber um julgamento justo (liberais e intelectuais). Em 1899, Dreyfus é novamente julgado por uma corte militar, mas outra vez é considerado culpado . No entanto, o presidente da República Francesa intervem e concede-lhe indulto. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, Dreyfus é totalmente inocentado por uma corte civil. A controvérsia acerca do caso Dreyfus reflete o antissemitismo latente nas corporações oficiais e em outros grupos conservadores (franceses).

ABRIL DE 1897
KARL LUEGER, O PREFEITO ANTISSEMITA DE VIENA

Karl Lueger é eleito prefeito de Viena, e se mantem no cargo por 13 anos, até sua morte em 1910. Lueger, co-fundador do Partido Socialista Cristão, utiliza o antissemitismo econômico para ganhar o apoio dos pequenos empresários e artesãos que passam por dificuldades desde o início do capitalismo gerado pela revolução industrial na Áustria. Ele afirma que os judeus detêm o monopólio do capitalismo e, por isto, competem deslealmente com os demais na arena econômica. Esta forma de antissemitismo também é empregada por outros partidos de direita, na Áustria e na Alemanha, no início do século XX como forma de aumentar seu apelo popular. Adolf Hitler, habitante de Viena durante o governo de Lueger, é extremamente influenciado por seu antissemitismo e por sua habilidade na conquista do apoio popular. As ideias de Lueger refletem-se na plataforma do Partido Nazista alemão na década de 1920.

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